Ronaldo Lopes renuncia a mandato e PT termina 2016 com apenas um vereador

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MARCO ROGÉRIO

O vereador Ronaldo Lopes (PT) renunciou ao mandado esta semana. Alegando questões ligadas à Volkswagen do Brasil, o parlamentar petista afirma que teve que deixar a Câmara Municipal de São Carlos. Lopes não foi candidato à reeleição nas eleições de 2 de outubro. Segundo informações, ele deve ocupar, a partir de 2017 um importante cargo na FEM (Federação Estadual dos Metalúrgicos) da Central Única dos Trabalhadores  (CUT).

Com a decisão de Lopes, o PT, que elegeu quatro vereadores em 2012, termina o mandato com apenas um: Lineu Navarro (PT), que nas últimas eleições concorreu o cargo de prefeito de São Carlos. Os outros dois, Dé Alvim e Roselei Françoso, migraram para Solidariedade e Rede, respectivamente. Para piorar a situação do PT em São Carlos, resta lembrar que o partido não elegeu vereador no último pleito e ficará sem qualquer representação política oficial a partir do próximo ano, fato que não se dava há cerca de 30 anos.

O suplente de Ronaldo a assumir sua cadeira deve ser Ademir Martins de Oliveira,que hoje é filiado ao Solidariedade. Apesar da mudança de sigla, os juízes eleitorais de São Carlos tem praticamente ignorado a questão da infidelidade partidária e mantido as suplências definidas nas eleições anteriores. Assim, da configuração de 2012, o Legislativo termina o atual mandato com três mudanças: Paulo Taú (DEM) substitui José Luís Rabello (PSDB), o Zé do Mato, que morreu recentemente; Carlinhos Tallarico (PTB), que entrou na vaga de Idelso Paraná (PROS), afastado por problemas de saúde e agora Ademir no lugar de Ronaldo Lopes.

Ronaldo tinha grande força entre os metalúrgicos, pois é sindicalista - DIVULGAÇÃO

Ronaldo tinha grande força entre os metalúrgicos, pois é sindicalista – DIVULGAÇÃO

 

 

Leia abaixo a íntegra da Carta de Renúncia do vereador petista

Eu, RONALDO LOPES DE OLIVEIRA, Vereador do Município de São Carlos, venho perante Vossas Excelências, na forma legal e regimental, comunicar:
Primeiramente: FORA TEMER!
Em segundo, e não menos importante, venho comunicar à população São-carlense, em especial as trabalhadoras e trabalhadores de São Carlos, que não poderei mais continuar as atividades como Vereador desta Cidade.
E explico o porquê:
Quando pensamos na conjuntura nacional, nos deparamos com um cenário em que a elite econômica e política do nosso país massacra a classe trabalhadora, tirando direitos básicos e fundamentais, tirando saúde, educação, aposentadoria, tudo para garantir que a elite política econômica continue lucrando e acumulando cada vez mais dinheiro.
As “reformas” que o ilegítimo governo Temer vem fazendo, faz com que as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros sofram ainda mais. Com as reformas trabalhistas, o governo ilegítimo do Temer pretende que as trabalhadoras e trabalhadores enfrentem jornadas de trabalho prolongadas, intensas, com salários baixíssimos.
Como se fosse possível piorar, essas condições precárias e indignas de trabalho deverão ser enfrentadas pelas trabalhadoras e trabalhadores, que também não poderão contar com condições básicas de saúde e educação, já que a PEC 55 faz o desfavor de impedir investimentos necessários em direitos fundamentais, para garantir o lucro da elite política e econômica.
E, tudo isso, sem qualquer perspectiva de aposentadoria, já que com a reforma da previdência, ainda que as trabalhadoras e trabalhadores tenham descontado em seus salários a contribuição previdenciária, não terão perspectiva real de se aposentar. Pra onde vai a contribuição? Mais uma vez, será revertida em benefício da elite política e econômica.
Essa é a realidade da classe trabalhadora no contexto pós-golpe.
E, quando todos esses ataques vem de um governo ilegítimo, que chegou ao poder por meio de um verdadeiro golpe, outra coisa vem a tona: difícil acreditar que a luta dentro da instituição é prioridade agora.
A luta dentro das instituições, em especial, do Poder Legislativo, do qual faço parte, é, e sempre foi, muito importante. Mas não é prioridade agora. E não é porque a prioridade das próprias instituições federais, dirigidas pelo governo golpista, está sendo atacar a classe trabalhadora.
E quando isso acontece, uma coisa fica clara: é preciso organizar o povo. Organizar as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros e partir para a luta e resistência.
É aqui na cidade que as trabalhadoras e trabalhadores trabalham, onde vivem, efetivamente as condições precárias e indignas de trabalho. É aqui em São Carlos que sofrem com um transporte coletivo caro e sucateado. Que ficam horas nas filas do SUS. Que tem que se virar com as crianças porque não tem creches.
Por causa de tudo isso, sigo convencido: minha prioridade agora é, e tem que ser a luta e resistência do povo. E a partir de agora, deixo o espaço institucional para enfrentar os ataques, lutar e resistir, ao lado dos trabalhadores, no chão de fábrica.
Importante deixar registrado que levo na bagagem aprendizados desses 08 anos como Vereador da cidade de São Carlos. Aprendizados esses imprescindíveis para o contexto de luta e resistência que se faz necessário nessa conjuntura.
Sempre prezando para concretizar um mandato popular, pude aprender muito, todos os dias, com o gabinete sempre cheio de representantes de movimentos sociais. Sempre cheio de pessoas preocupadas com a realidade são-carlense. Cheio de pessoas que paravam o que estavam fazendo em seu cotidiano para irem até meu gabinete e conversar sobre as demandas e anseios do povo de São Carlos. Um mandato popular que foi construído e concretizado ocupando os mais variados espaços sejam eles: fábricas, bairros, igrejas, projetos sociais, movimentos sociais, associações, entre outros. Sempre na busca pela justiça, transparência e garantia de direitos: das mulheres, dos negros, dos homossexuais, das crianças, dos catadores, dos metalúrgicos, dos servidores, dos trabalhadores – ou seja, da sociedade como um todo.
É levando tudo isso que sigo na luta e resistência, com as trabalhadoras e trabalhadores.
Diante do exposto, reitero a RENÚNCIA expressa ao mandato de Vereador e membro do Poder Legislativo Municipal, que me foi outorgado nas urnas pelo eleitorado deste Município, no pleito eleitoral de 2012, em caráter irrevogável e irretratável, com efeitos imediatos.
Aproveito a oportunidade para, desde já, agradecer todas as companheiras e companheiros que em mim depositaram sua confiança, concedendo-me o direito através do voto, de representá-los na Câmara Municipal, que acreditaram em mim e num mandato, de fato, popular. Espero ter honrado os votos obtidos, através do trabalho que desenvolvi em prol da população de São Carlos, sem distinção. Como já dito, não deixarei a política; continuarei com meu trabalho e minha luta em prol de uma sociedade mais justa, realizando debates políticos em todos os espaços e segmentos que se fizerem necessários. A luta continua!

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