Os sete pecados capitais (ou o jogo dos 7 erros) de Paulo Altomani

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  • Escrito por  (*) Marco Rogério Duarte
Os sete pecados capitais (ou o jogo dos 7 erros) de Paulo Altomani

Conheci o empresário Paulo Roberto Altomani em 1995, logo depois de chegar a São Carlos. Ele, como presidente do PSDB, participava, então, do lançamento do Trem Azul, um projeto do governo do Estado, no Governo Mário Covas, como derradeira e fracassada tentativa de reimpulsionar o transporte de passageiros pelo transporte ferroviário.

Conversamos e percebi todo seu entusiasmo em um dia governar São Carlos. Nunca imaginaria que aquele homem determinado, que havia perdido a disputa eleitoral de 1992, teria ainda que concorrer a mais cinco pleitos para vencer as eleições.  Sua tenacidade o levou à vitória.

Tenho certeza de que Altomani, homem de bom coração, trabalhador e honesto, levantou todos os dias, rezou e trabalhou buscando fazer o melhor para São Carlos durante os últimos quatro anos. Não tenho dúvidas que meu amigo, que conheci dentro do Trem Azul, empresário de sucesso, bom pai de família e pessoa do bem, tenha se dedicado de corpo e alma para fazer o melhor.

Porém, infelizmente, o mundo político e uma cidade complexa como São Carlos foram, para ele, um obstáculo bem maior do que ele poderia enfrentar. Infelizmente, somados à maior crise econômica e política atual e o fato de ele ter herdado uma Prefeitura inchada e  aparelhada de forma irresponsável pelo PT,  os sete erros capitais de Altomani o levaram a falar um idioma diferente do entendido e falado pela população de São Carlos. O hiato que ele e seus assessores geraram lhe custou uma derrota tão histórica e inesquecível quanto foi sua vitória quatro anos antes.

O primeiro erro de Altomani foi de não fazer a leitura correta do resultado das eleições de 2012. A dura verdade é que ao contrário do que ele possa pensar não foi ele quem ganhou as eleições! Foi o PT que perdeu! Depois de 12 anos, o eleitorado são-carlense cansou-se do modelo petista, que acabou caindo de podre por vários motivos.

O segundo erro  veio da santa ingenuidade política do tucano. Bastaram algumas reuniões com o então prefeito Oswaldo Barba no final de 2012 para que ele pensasse que o seu ferrenho adversário da campanha eleitoral havia se tornado seu “amigo”. Ele confundiu educação e diplomacia com amizade. Desta forma, Altomani cometeu a burrice de entregar a Barba uma placa de prata de “bom prefeito”. O tucano deu a Barba o título que o eleitorado lhe negou, impedindo sua reeleição e mandando-o de volta para casa.

O terceiro grande erro do prefeito que está concluindo o mandato foi o de se viciar em campanha política. Ele passou 20 anos fazendo campanha política e, de fato, parece que nunca parou. Desta forma, ganhou as eleições e continuou fazendo promessas absurdas, como implantação do metrô de superfície, construção de uma Arena Multiuso como a de Araraquara e etc. Ao mesmo tempo, Altomani nunca se preparou para governar. Nem plano de governo ele tinha…

Falar pelos cotovelos e opinar sobre tudo foi o quarto pecado  capital de Altomani. Ao invés de valorizar a fala do prefeito – que sempre tem ressonância – ele preferiu “dar bom dia a cavalo” e se meter a debater ou criar teorias para temas tão complexos como a questão dos afrodescendentes e a origem do homossexualismo. Ao invés de recorrer ao viés da cidadania e da democracia sexual e racial, ele se meteu em fórmulas absurdas e explicações inacreditáveis.

Viver cercado de bajuladores foi outro problema sério do atual prefeito. Ao invés de premiar a competência de lideranças e profissionais que estiveram com ele durante 20 anos, ele preferiu aliados de última hora e oportunistas de plantão, sempre dispostos a dizer tudo o que o rei deseja ouvir para manter seus interesses inconfessáveis. O governo tucano de São Carlos estava cercado de incompetentes e canalhas. Citando Cazuza, podemos dizer que a piscina de Altomani estava “cheia de ratos”.

Aliás, muitos destes ratos que mamaram muito nas tetas da Prefeitura hoje são inimigos mortais do ex-prefeito e estão “apaixonados” pelo prefeito eleito, Airton Garcia…

Foi por isso que não teve uma Comunicação competente e que pudesse divulgar os pontos positivos de sua gestão. Ao contrário do que muitos podem pensar, o governo que chega ao fim deixa um bom legado na geração de empregos, tanto com a atração de novo investimentos quanto no treinamento de mão-de-obra e liberação de microcrédito para pequenos negócios. Além disso plantou sementes importantes, como o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), a FATEC (Faculdade de Tecnologia) e o Shopping Passeio São Carlos.

O sexto problema capital do prefeito tucano foi o de fazer a opção de “não ser político”. Fã de Geraldo Alckmin que é capaz de falar horas sem dizer absolutamente nada, Altomani age como Ciro Gomes, ou seja, gera uma manchete a cada vez que abre a boca.

Além disso tomou iniciativas absurdas para quem é prefeito. Quando o vereador Lucão Fernandes deixou a liderança do governo, ele foi indagado por um repórter sobre quem seria o novo líder. Ao invés de desconversar, Altomani preferiu criar uma “tempestade perfeita” ao colocar em dúvida a capacidade dos vereadores para ser líder, no Legislativo, de sua gestão. Ele adotou a atividade delegada, parceria com a Polícia Militar, onde a Prefeitura paga para os policiais trabalharem para o Município nos dias de folga. Ao invés somar estes policiais no combatem o crime, Altomani criou um esquadrão para multar e prender motos e carros velhos, deixando a classe mais pobre a pé. Faltando um ano para as eleições, ele colocou os radares para funcionar e multar a rodo.

Além de tudo isso, para ter sucesso em seu governo, Altomani deveria ter ao seu lado a Câmara de Vereadores e a mídia, ou pelo menos um dos dois. Conseguiu ter o Legislativo e os meios de comunicação contra. Deu no que deu!!!

O sétimo pecado capital de Altomani é o da “realidade virtual”. Desde o início do governo, ao invés de aceitar a realidade ou se basear em pesquisas para governar, ele preferiu usar o mesmo instinto messiânico que lhe guiou nestes 24 anos de política. Saiu de cena o empresário que lida com planejamento estratégico e o engenheiro mecânico, frio e calculista e entrou em cena o Altomani esotérico.

Quando as pesquisas mostravam que sua administração era mal avaliada e que suas chances de vitória na candidatura à reeleição eram parcas, se não inexistentes, ele preferiu ignorar as pesquisas. E foi desafiando a lógica e apostando em intuição, misticismos, crendices e em sua fé messiânica que ele amargou uma derrota acachapante na disputa de 2 de outubro.

Porém, mesmo depois de derrotado de forma vexatória, Paulo Altomani continuou se comportando como se tivesse sido reeleito com 90% dos votos. Parece não ter aprendido nada com a derrota. Para ele nem o revés, como foi, teve caráter pedagógico.

Ao contrário de tantos que o odeiam por vários motivos, eu, que gosto do Paulo, espero que como tempo ele aprenda as lições e consiga decifrar a mensagem das urnas. Somente assim poderá um dia recuperar o prestígio político perdido e sua imagem na história política de São Carlos. Estando vivo fisicamente falando, todos podem “ressuscitar” na política, pois a história é escrita pelo imponderável! Além do mais, eleição é como trem do metrô: passa um e logo depois já chega outro…

 

MARCO ROGÉRIO DUARTE é jornalista, historiador e Especialista em Jornalismo Contemporâneo e Conjunturas de Mídia

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