Nota de Djalma Nery em resposta à matéria do site ‘Repórter Central’ do dia 27/01/2017 sobre indícios de fraude eleitoral em São Carlos

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Djalma Nery poderá ser o primeiro vereador do PSOL na história de São Carlos - DIVULGAÇÃO

Djalma Nery poderá ser o primeiro vereador do PSOL na história de São Carlos – DIVULGAÇÃO

            No dia 27 de janeiro de 2017, o Repórter Central divulgou matéria assinada por Marco Rogério sob o título “Bomba! Exclusivo: processo de fraude eleitoral contra PROS, PEN e PTN pode tirar Marquinho Amaral da Câmara”. Venho através da presente nota esclarecer, questionar e refutar alguns pontos e afirmações trazidos no artigo.

            Como bem sabemos, a imparcialidade é um dos atributos básicos e indispensáveis ao bom jornalismo. Obviamente, graças à liberdade de expressão e de imprensa conquistada a duras penas, deve haver (e há!) espaço adequado para a publicação de colunas de opinião, análises e reflexões, no que diz respeito a externalizar pontos de vistas sobre determinados assuntos. No entanto, como comunicadores, os jornalistas que se propõem a informar a população, dando visibilidade a determinados assuntos de interesse público (como o da matéria publicada no último dia 27), devem firmar o compromisso de “ausentar-se” na escrita de seus textos, dando tratamento e espaço igual para todos os citados (quando o assunto envolve algum antagonismo), garantindo isonomia, sendo de bom tom omitir eventuais predileções ou preferências. Obviamente não se trata de tarefa simples, tendo em vista que a total neutralidade é algo inalcançável, já que todos carregamos concepções e visões de mundo particulares. Mas é justamente aí que reside o maior desafio jornalístico, o de, enquanto seres sociais e políticos, comunicarmos fatos relevantes com a maior imparcialidade que nos for possível. Uma das maneiras técnicas de fazê-lo é evitar adjetivações além daquilo tido por essencial, comportamento e prática que, segundo nosso entendimento, faltaram na citada matéria.

            Nela, o jornalista opta por  me classificar como “o ultraesquerdista Djalma Nery”, candidato pelo PSOL, e utiliza termos que enaltecem a atuação do vereador Marquinho Amaral, chamando-o de ‘aguerrido’ e frisando a ausência de culpa do mesmo, caso a fraude venha a ser devidamente encaminhada pelo poder judiciário, acarretando troca de cadeiras.

            Primeiro, cabe ressaltar que nós do PSOL – e comigo não é diferente – não temos nenhum problema em nos reivindicar enquanto partido de esquerda, mesmo em tempos de polarização política, onde os atritos nivelam por baixo a formação de consciência crítica, criando uma caricatura reducionista e equivocada das bandeiras e lutas da esquerda. Atualmente no Brasil tem-se ressuscitado o fantasma do anti-comunismo, ou anti-esquerdismo, tão convenientemente utilizado e construído no passado, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando a geopolítica mundial se dividiu em dois grandes blocos: o capitalista e o comunista. Inventou-se toda sorte de inverdades e absurdos para se falar dos comunistas, tachando-os de malignos e, no limite, ‘comedores de criancinhas’. Infelizmente, tal imaginário implantado e aviltante segue vivo em algumas mentes desinformadas, que se alimentam da atuação rasteira de formadores de opinião e de meios de comunicação hegemônicos, interessados na manutenção desse sistema desigual. É um absurdo (e é bastante sintomático) que tal sentimento venha novamente à tona no Brasil, e que a raiva irracional alimentada por setores de esquerda e próximos dela tenha resultado num golpe institucional e na instalação de um governo ilegítimo à frente da nação.

            Em todo caso, bem sabemos que valer-se de tal expressão em sua forma hiperbólica, chamando-me de ‘ultraesquerdista’, só pode ter o resultado de retratar-me como alguém extremista, indialogável, e afeito a valores questionáveis, mobilizando os sentimentos populares arredios a esta imagem equivocada de esquerda. Além disso, a matéria usa adjetivos como ‘polêmico e aguerrido’ para retratar Marquinho Amaral, e traz em sua capa uma foto do mesmo usando a palavra em plenário, exaltando suas qualidades parlamentares. Essa contraposição está óbvia – a construção de impressões a priori a alguém que, desinformado, tenderá a encarar como injustiça o que acontece, e será contra a tal ‘mudança das cadeiras’.

            Faz-se necessário por último explicar o óbvio: Marquinho Amaral não será ‘injustiçado’ com a troca das cadeiras, porque a verdadeira injustiça começa no momento de impunidade de uma fraude eleitoral que, segundo indícios, aponta-se como clara e irrefutável. Ainda mais, o sistema eleitoral como ele se encontra, por si só, configura-se de maneira completamente injusta. Para que se entenda: o PMDB (partido ao qual pertence hoje Amaral) teve votos suficientes para eleger apenas 2 parlamentares. NO ENTANTO, ao beneficiar-se das SOBRAS de outros partidos, elegeu 4, sendo que  Marquinho foi o último deles! O PSOL, partido para o qual faltaram 44 votos para a conquista de uma cadeira, no entanto, ficou sem nenhuma, e todos os seus quase 6 mil votos foram simplesmente distribuídos, considerados SOBRAS. O fato é: a fraude eleitoral, indiretamente, ao não ter sido apurada anteriormente, beneficiou diretamente esse parlamentar do PMDB, que se elegeu com votos que não foram dele e, sequer, do partido dele. Precisamos nos esforçar para entender isso com clareza e não reproduzir discursos rasos e equivocados sobre o assunto. Além do mais, não está se dando a devida atenção para a gravidade do caso que, ao que tudo indica, foi meticulosamente orquestrado por uma pessoa que hoje ocupa cargo eletivo na Câmara Municipal e que, segundo consta em depoimento anexado ao processo, teria sido a responsável por aliciar as mulheres que incorreram em fraude ao aceitar apresentar seus nomes para o fim de candidatura simulada. Isso sim precisa ser exposto, debatido e averiguado, pois a justiça não pode se restringir apenas aos elos mais fracos da questão, e deve buscar a origem do ocorrido.

            Por todos esses motivos, parece-nos que a matéria publicada veio com o intuito de alertar a população para a possibilidade iminente de uma “injustiça”: a da perda do mandato de Marquinho Amaral. Mas o que estranhamos é que, perante um caso calamitoso e inaceitável de instrumentalização da mulher na política, o jornal opte por solidarizar-se com Amaral, denunciando o que o coloca em risco, e não optando por informar a população da possível e gravíssima fraude que hoje segue sob investigação. Parece-nos, no limite, uma matéria que corre em socorro de Amaral para, quem sabe, desmotivar a opinião pública (e quiçá até o poder judiciário) de dar prosseguimento devido ao caso, sob o risco de, na outra ponta, incorrer em outra “injustiça”. E esse tom, para nós, é imperdoável.

            Por último, pedimos ao povo de São Carlos que se mobilize sobre isso, pois a composição da Câmara Municipal não está correta, e uma possível fraude segue impune! O poder judiciário, com seus prazos e morosidade aparentemente não se atentou para a importância de dar o devido encaminhamento ao caso, e talvez seja preciso lembrá-lo que a sociedade EXIGE uma resposta imediata cujos desdobramentos impactarão diretamente a vida da população, que almeja contar com seus representantes nos espaços onde eles deveriam estar.

            É com carinho e fraternidade que redijo essa nota para publicação no site ‘Repórter Central’, ciente de que esse veículo, afeito à democracia e à liberdade de expressão, nos garantirá espaço integral – sem edição e sem censura – para expor outra faceta de uma notícia que há alguns dias ele noticiou.

            Nos despedimos e ficamos à disposição de toda a sociedade para quaisquer esclarecimentos!

 

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