Guerra Paulista de 32 completa 86 anos

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Movimento armado durou cerca de três meses e foi o maior do Século XX no Brasil; mobilizou os paulistas e suas várias classes sociais

Marco Rogério

A Revolução Constitucionalista de 1932 completa hoje seu 86º aniversário. Mas para falar neste movimento armado, é preciso voltar alguns anos na história para buscar os seus embriões. O conflito armado mobilizou as várias classes sociais do Estado de São Paulo e  várias cidades. Quatro combatentes de São Carlos foram mortos durante as batalhas.

Durante a República Velha (1889-1930), formou-se uma aliança entre os estados mais ricos e influentes do país na época, São Paulo e Minas Gerais, cujos representantes alternavam-se no posto da presidência da república naquilo que ficou conhecido como a “política do café com leite”.

Em 1930, porém, o presidente Washington Luís, representante dos paulistas, rompe a aliança com os mineiros e indica o governador de São Paulo Júlio Prestes como seu sucessor, que venceu as eleições. As oligarquias mineiras não aceitam o resultado e, por meio de um golpe de estado articulado com os estados do Rio Grande do Sul e da Paraíba, colocam Getúlio Vargas no poder.

“Getúlio vem com uma nova proposta de modernização do país. O grupo que chega ao poder pretende promover essas mudanças de maneira autoritária, sem consultas eleitorais”, conta o historiador Rubens Ramiro Júnior. O novo presidente fecha o Congresso Nacional, anula a Constituição de 1891 e depõe governadores de diversos estados, passando a nomear interventores.

As medidas desagradam profundamente as elites paulistas tradicionais. “Esses grupos, que eram ligados ao Partido Republicano Paulista (PRP) e haviam sido derrotados pela revolução de 1930, passam a trabalhar em oposição ao governo de Getúlio”, diz Ramiro.

Ao mesmo tempo em que se formava esse grupo opositor, fortaleciam-se, em São Paulo, os chamados tenentistas, constituídos não apenas por militares, mas também de civis que agiam sob sua liderança. “Eles se reuniam no Clube Três de Outubro e apoiavam as ações do governo”, explica o professor. “Havia diversas brigas de rua entre os estudantes do Largo São Francisco e esse grupo getulista, os tenentistas”. No dia 23 de maio, essas forças se encontraram e se defrontaram nas ruas de São Paulo, o que resultou na morte de alguns estudantes em praça pública, que ficaram famosos como MMDC (sigla das iniciais dos quatro jovens mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo). Mais tarde, adicionou-se a letra A, de Alvarenga, ao final da sigla, de outro jovem que acabou morto por causa do conflito.

Essas mortes foram o estopim que deu início no dia 9 de julho de 1932 à Revolução Constitucionalista. Com a ajuda dos meios de comunicação em massa, o movimento ganha apoio popular e mobiliza 35 mil homens pelo lado dos paulistas, contra 100 mil soldados do governo Vargas.

SÃO CARLOS – Assim como muitos dos municípios do interior paulista, São Carlos participou ativamente desta Revolução. No primeiro dia do levante, 9 de julho, o prefeito em exercício, Antonio Militão de Lima, convocou os moradores para se alistarem voluntariamente nas tropas paulistas. O lema era: “Alistem-se em prol da bandeira constitucionalista de São Paulo”.

Dos 60 mil voluntários que participaram da Revolução de 32, aproximadamente 568 eram são-carlenses. Destes, morreram quatro em combate: Alípio Benedicto, Benedicto da Silva, Modesto Santinna e Luiz Rohrer.

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