Fazenda Santa Maria apresenta mostra de Angelo Agostini

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Décio Malta Campos: fazenda preserva história do Século XIX - MARCO ROGÉRIO

Décio Malta Campos: fazenda preserva história do Século XIX – MARCO ROGÉRIO

revista ilustrada com charges políticas (8)

 

 

Editor da Revista Ilustrada, desenhista italiano é considerado o pai da charge política no Brasil por iniciar este tipo de comunicação no Século XiX

Marco Rogério

A Fazenda Santa Maria do Monjolinho, uma das poucas que preserva a memória do Século XIX e da Era de Ouro do Café, está apresentando aos visitantes o acerco Angelo Agostini. O artista publicava, no final do Século XIX, a Revista Ilustrada, na qual publicava as charges e caricaturas, comunicação na qual foi pioneiro no Brasil. A fazenda promove turismo rural, recebendo milhares de visitantes anualmente.

O proprietário da fazenda, o engenheiro agrônomo Décio Malta Campos, afirma que a fazenda mantém um acervo bastante interessante, entre eles o do artista Agostini. “Em 1880, não havia fotografia e nem nada parecido. Para editar a revista ele tinha que fazer desenhos. Ele desenhava as capas e as charges. Ele é o pai da charge política no Brasil. A maioria dos visitantes fica bastante impressionada. Vamos realizar novas mostras de acervo para que a população possa conhecer alguma coisa sobre a vida brasileira no Século XIX”, comenta ele.

A Santa Maria recebe, normalmente, cerca de 1.000 turistas que visitam a fazenda aos sábados, domingos e feriados. A partir de março, porém, os melhores colégios de São Paulo, enviarão para a propriedade rural os seus alunos. “Em 2016 recebemos 6 mil estudantes de colégios paulistanos que conheceram o acervo da fazenda”.

QUEM FOI AGOSTINI – Angelo Agostini  nasceu em Vercelli, na Itália, em 8 de abril de 1843 e morreu no Rio de Janeiro em 28 de janeiro de 1910. Ele foi um desenhista italiano que firmou carreira no Brasil e foi o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. Sua carreira teve início quando estouravam os primeiros combates da Guerra do Paraguai (1864) e prolongou-se por mais de quarenta anos. Em seus últimos trabalhos, testemunhou a queda do Império e a consolidação da República oligárquica.

Viveu sua infância e adolescência em Paris, e em 1859, com dezesseis anos, foi para São Paulo com a sua mãe, a cantora lírica Raquel Agostini.

Em 1864 deu início à carreira de cartunista, quando fundou o Diabo Coxo, o primeiro jornal ilustrado publicado em São Paulo, e que contava com textos do poeta abolicionista Luís Gama. Este periódico, apesar de ter obtido repercussão, teve duração efêmera, sendo fechado em 1865. O artista lançou, no ano seguinte (1866) o Cabrião, cuja sede chegou a ser depredada, devido aos constantes ataques de Agostini ao clero e às elites escravocratas paulistas. Este periódico veio a falir em 1867.

O artista mudou-se para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu desenvolvendo intensa atividade em favor da abolição da escravatura, pelo que realizava diversas representações satíricas de D. Pedro II.

Colaborou, tanto com desenhos quanto com textos, com as publicações O Mosquito e A Vida Fluminense. Nesta última, publicou, a 30 de Janeiro de 1869, As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo.

Fundou, em 1 de janeiro de 1876, a Revista Illustrada, um marco editorial no país à época. Nela criou o personagem Zé Caipora (1883), que foi retomado em O Malho e, posteriormente, na Don Quixote. Este foi republicado, em fascículos, em 1886, o que, para alguns autores, foi a primeira revista de quadrinhos com um personagem fixo a ser lançada no Brasil.

A Revista Ilustrada, de Angelo Agostini, periódico republicano, retratava Antônio Conselheiro de forma caricatural, com séqüito de bufões armados com velhos bacamartes, tentando “barrar” a República.

BIOGRAFIA 

Chargista teve vida amorosa conturbada

 

No Rio de Janeiro o artista, já casado, se envolveu em novas complicações ao se tornar amante de sua aluna, Abigail de Andrade, natural de Vassouras, no Rio de Janeiro. Artista promissora, única mulher a receber uma medalha de ouro por trabalhos expostos no Salão Imperial de 1884, Abigail recebeu elogios por parte dos críticos da época.

O relacionamento amoroso, a gravidez e o nascimento em 1888 da filha Angelina causaram um grande escândalo na cidade e obrigaram o casal a partir para Paris em outubro daquele ano. Na França um novo drama envolveu Agostini: em abril de 1890 nasceu seu filho, Angelo, que morreu ainda bebê e, logo depois, a mãe. Angelo Agostini retornou então ao Rio de Janeiro com a filha, que mais tarde se tornaria pintora, vindo a falecer em 1973.

Em sua volta ao Brasil, Agostini fundou a revista Don Quixote (1895-1906) e trabalhou na revista O Tico Tico, retomando o personagem Zé Caipora, que teria suas história publicadas até dezembro de 1906. Trabalhou ainda n’O Malho e na Gazeta de Notícias, entre outros.

Seu nome serviu de inspiração ao Prêmio Angelo Agostini, concedido anualmente pela Associação de Quadrinistas e Caricaturistas de São Paulo aos melhores do ramo e para a criação do Dia do Quadrinho Nacional, comemorado em 30 de janeiro.

 

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