EXCLUSIVO: Projeto de reoneração da folha de pagamento preocupa Tecumseh

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O executivo Antonio Sasso, da Tecumseh do Brasil alerta para os problemas que a indústria poderá enfrentar com a reoneração – MARCO ROGÉRIO

Marco Rogério

O Governo Federal quer aprovar, no início de 2018, o projeto que reonera a folha de pagamento das empresas ao retirar benefícios fiscais de vários setores da economia. O objetivo do presidente Michel Temer é o de aumentar a arrecadação do governo federal, e com isso acabar com um dos pontos da política tributária do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, conhecida como desoneração tributária, que substituía a contribuição social sobre a folha de pagamento das empresas por uma contribuição previdenciária baseada na receita bruta.

Esta possiblidade preocupa muito a Tecumseh do Brasil, empresa sediada em São Carlos e que produz compressores herméticos para refrigeração comercial e doméstica e também componentes eletroeletrônicos. A empresa, que gera 2.600 empregos diretos além de milhares de outros indiretos com terceirizadas nas áreas de segurança, transportes, alimentação e limpeza entre outros, teme que este novo custo fixo possa gerar sérias dificuldades num futuro próximo.

“Se a reoneração se confirmar será um problema muitoi sério não só para a Tecumseh, mas para grande parte das empresas brasileiras. A desoneração, feita em 2012, representou um grande alívio para o setor industrial. Infelizmente existe a possibilidade de a reoneração voltar em 2018. É um problema muito grave, pois estamos realizando nosso planejamento de 2018 e não podemos incluir um custo como este  nos nossos planos”, afirma o diretor de Recursos Humanos da Tecumseh, Antonio Sasso Garcia Filho.

Segundo o executivo, a reoneração poderá se tornar um grande entrave para a retomada do crescimento econômica. “O momento não é propício para se aumentar tributação. Tenho certeza de que este novo custo será um entrave para que o país possa voltar a crescer. Afinal, vivemos a maior crise institucional, econômica e política da história do país”, explica Sasso.

A MP original que foi arquiva, estabelecia a volta da cobrança da contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha, com exceção de alguns setores da economia nos quais era mantida a regra da desoneração. Dentre os setores estavam os de transportes de passageiros, construção civil e comunicação. No entanto, a comissão ampliou o benefício a outros setores, como transportes de cargas, máquinas e equipamentos industriais e agropecuários e fabricantes de ônibus e carrocerias de ônibus.

A Tecumseh, que desde setembro de 2015 é comandada por um novo grupo empresarial vive um momento de estabilidade. Segundo Sasso a Tecumseh continua com grande independência para atuar no seu mercado. “No momento não temos previsão de grandes investimentos. Porém, por outro lado, não temos previsão de demissões e redução de atividades”.

SEM COMPETÊNCIA PARA REDUZIR GASTOS – Para o diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o empresário Ubiraci Moreno Pires Corrêa, a decisão de Temer de aumentar carga tributária revela a total incompetência da atual gestão de reduzir seus custos. “É mais um pouco do mesmo. O governo só pensa em arrecadação, mas não faz o dever de casa ou não quer mesmo fazer economia. Assim, a indústria brasileira vai se tornando cada vez menos competitiva no mercado internacional. Com tais medidas o que o governo faz é conseguir, gradualmente, ir fechando mais e mais postos de trabalho”, lamenta Ubiraci.

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