Estratégia, talento e VAR fazem da França bicampeã do mundo

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A goleada dos franceses sobre os croatas por 4 a 2 retrata o acerto de Deschamps. Apostou no desgaste do rival e no contragolpe. Acertou em cheio

O pênalti que decidiu a Copa do Mundo. Marcado pelos árbitros de vídeo

O pênalti que decidiu a Copa do Mundo. Marcado pelos árbitros de vídeo

Dylan Martinez/Reuters – 15.07.2018

Estádio LuzhnikI

Moscou, Rússia

A França é bicampeã mundial. Com frieza, sorte, fôlego e muito sangue frio. Acabou com o sonho do time mais sofrido, mais emocionante da Copa da Rússia.

Só que superação e história marcante não garantem fazer parte da elite dos campeões do mundo.

O time francês apostou na marcação forte, nos contragolpes e venceu a Croácia por 4 a 2.

Goleada para não deixar dúvida quem é hoje o melhor time do mundo.

O lance fundamental da partida e que marca a mudança de uma vez por todas no futebol aconteceu aos 33 minutos. Griezman cobrou escanteio e Perisic desviou com a mão. O árbitro argentino Nestor Pitana foi cercado por jogadores franceses que pediam a penalidade.

Ele não daria. Mas foi avisado que o lance foi pênalti pelos árbitros de vídeo. Ele ficou na dúvida. Mas acabou indo conferir, tamanha a insistência. E precisou ver inúmeras vezes, ameaçar voltar para o campo, voltar para a tela da tevê.

Finalmente, se convenceu. Pênalti marcado. Griezmann não titubeou. 2 a 1, França.

Sair no primeiro tempo vencendo foi fundamental. Os croatas são humanos. Cansaram. No segundo tempo, tentaram correr atrás do empate. Mas tudo que conseguiram foram se abrir e tomar mais dois gols. Ganharam um de graça graças à estupidez, à brincadeira de Lloris.

O placar mostrou que Deschamps acertou em apostar no cansaço croato.

A golerada não deixa dúvidas.

A final foi muito mais fácil do que se esperava.

Pela terceira vez um país do Leste europeu chega à uma decisão de Copa. Pela terceira vez fracassa. Antes, a Hungria, em 1954 e a Tchecoeslováquia, em 1962.

A França começou a partida tentando um truque muito perigoso. Deschamps apostava que os croatas iriam partir para decidir a Copa no primeiro tempo.

Isso porque eles vinham de três desgastantes prorrogações. O técnico francês acreditou que Zlatko Dalic iria tentar sair na frente no placar. Para depois atrair os franceses, ter uma estratégia que exigiria menos fôlego, a dos contragolpes.

So que a França se postou no seu campo, abrindo mão do controle do jogo, oferecendo para a Croácia campo para atacar. Principalmente pela esquerda, com triangulações com Strinic e Perisic.

A felicidade de Pogba. Explorando o cansaço da brava seleção croata

A felicidade de Pogba. Explorando o cansaço da brava seleção croata

Michael Dalder/Reuters – 15.07.2018

A marcação francesa se mostrava insegura, Pavard não é um bom marcador. Pogba seguia distante e Mbappé se esforçava, mas a força física croata era impressionante.

Por 15 minutos a bola ficou rondando a pequena área de Lloris. A torcida se animava. Os neutros, eliminados russos e brasileiros, se juntavam aos animados croatas da arquibancada. Parecia só uma questão de tempo para sair o primeiro gol do time do Leste europeu.

Só que o futebol quando resolve castigar, não perdoa. Uma falta boba da lateral direita da intermediária acabou mudando radicalmente a história da decisão. O canhoto Griezmann levantou entre a pequena área e a marca de pênalti.

A preocupação de Mandzukic era acompanhar o ótimo cabeceador Varane. Seu medo era tão grande que se afobou ao perceber que poderia tocar na bola. Realmente a desviou. Mas a desviou da direção do goleiro Subasic.

França 1 a 0, aos 17 minutos do primeiro tempo.

Os croatas teriam de correr mais ainda. Os franceses seguiam fielmente o plano de se manter fechada, em duas linhas de quatro, aproximadas, na intermediária. Queria o contragolpe, para arrancadas principalmente de Mbappé. Só que a marcação com o coração, com raiva dos croatas na intermediária francesa acabou resultando no justo empate.

Em um cruzamento de Modric. Vrsaljko desvia para o meio. Mandzukic disputa com Pogba, e Rebic. Vida consegue servir para Perisisc, que dribla um irreconhecível Kanté com o pé direito e solta uma bomba com pé esquerdo. A bola ainda desvia em Varane e vai para o fundo das redes. 1 a 1, aos 27 minutos.

O gol incendiou os croatas, que se adiantaram para tentar a virada. Mas veio o escanteio, o toque de mão de Perisic, o VAR e a cobrança cruel de Griezmann, aos 38 minutos.

No segundo tempo, a Croácia tentou seguir empurrada pelo coração. Só que o fôlego se esvaia. Os contragolpes franceses já criavam muito mais perigo. Não havia o mesmo poder de recomposição croata.

Aos 13 minutos, isso ficava ainda mais claro. Pogba lançou para Mbappé que cruzou. A bola  foi para Griezmann. Ele apenas rolou para Pogba. O primeiro chute, de direito, bateu na zaga. Mas o segundo, de esquerda, no rebote estufa as redes de Subasic.

E a seleção de idade mais baixa da Copa se proveitou do desânimo, do cansaço, da tristeza rival. Aos 19 minutos, Hernandéz invandiu pela esquerda e ajeitou para Mbappé. O jovem de 19 anos acertou um chute fortíssimo da entrada da área. 4 a 1, França. Os croatas baixaram a guarda.

Lloris ainda se deu ao luxo de brincar. E deu o segundo gol à Croácia

Lloris ainda se deu ao luxo de brincar. E deu o segundo gol à Croácia

Damir Sagolj/Reuters – 15.07.2018

O castigo era duro demais.

Mas justo o capitão e ótimo goleiro Lloris quis brincar. E tentou driblar Mandzukic. Acabou faciltando para o croata, que só deu um toque e a bola foi para as redes. 4 a 2.

O gol aos 23 minutos serviria para fazer os croatas tentarem o milagre. Mas faltava força, fôlego. Os jogadores croatas demonstraram que tinham ido além de suas forças.

A França não tinha nada a ver com isso.

Colocou seu competente plano em ação.

E entrou de vez para a elite do futebol.

É bicampeã como o Uruguai e a Argentina.

A Croácia fez a melhor campanha de sua história.

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