EXCLUSIVO: Audiência pública se transforma em guerra verbal e acirra ódio entre coxinhas e LGBTs

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Marco Rogério

Como já era previsto, a audiência pública realizada na noite desta sexta-feira, 1 de novembro, marcada para debater a ideologia de gênero no ensino brasileiro, se transformou numa guerra verbal entre os conservadores católicos e evangélicos, os chamados “coxinhas” e os integrantes do movimento LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e simpatizantes).

A Câmara Municipal ficou totalmente lotada, com cerca de 300 a 400 pessoas. O evento teve clima de fla-flu. Quem estava neutro na questão foi molestado em sua inteligência por tanta asneira propalada pelos dois lados. Além do mais, a audiência foi marcada pela falta de educação, pois ambas as torcidas aplaudiam, vaiavam e muitas vezes não deixava o orador falar. O debate começou por volta das 18h30 e seguiu até às 22h.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – O professor Luiz Novaes, da Escola Católica Querigma,fez um longo e enfadonho discurso contra a ideologia de gênero.  Porém, Novaes chegou a promover teorias da conspiração, primeiro afirmando que todas as instituições do Brasil está desacreditadas e depois  para falar que a escola é um lugar utilizado pelo governo para a subversão das crianças e jovens. Falou ainda que os institutos Ford e Rockefeller querem impor a ideologia de gênero.

Na mesma linha, quando usou a palavra, o vereador Luis Henrique Kiki (DEM), eleito pela igreja católica e conservador assumido, fez um discurso afirmando inclusive que Karl Marx queria acabar com a família e que a ideologia de gênero estaria neste contexto da implantação do socialismo no Brasil.

Militante do PT e membra das Promotoras Legais, Raquel Auxiliadora levou muita esperança aos LGBTs quando foi à tribuna da Câmara. Porém, não disse nada com nada e se limitou a mostrar número da violência no Brasil. Outro discurso confuso e desconexo foi o da representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB, a advogada Sara Lúcia.

Mas o evento foi marcado por algumas pérolas. O vereador Edson Ferreira (PRB), eleito pela Igreja Universal do Reino de Deus, chegou a afirmar o absurdo de que não há discriminação no Brasil. Leandro Guerreiro (PSB), polêmico como sempre, afirmou que ideologia de gênero seria um caminho para a extinção da raça humana e chamou de “aberração” este tipo de idéia. “Aqui em São Carlos isso não prospera, pois tem um vereador macho que se chama Leandro Guerreiro, o gladiador do povo”, afirmou ele, arrancando vaias, aplausos e risadas do público presente.

Lucão Fernandes (PMDB) tentou apaziguar os ânimos, dizendo que não há porque os grupos religiosos e os LGBTs serem inimigos e promoverem uma guerra. Falou ao vento. Outrosdiscursos inúteis foram dos vereadores Alekssandro Malabim (PTB) e Moisés Lazarini (DEM) .

Quem colocou o dedo na ferida já na parte final foi a professora de Filosofia, Niege Pavani. Militante do PSOL, ela questionou o professor Novaes e seus conceitos e disse que ele desconhece a realidade da educação brasileira. Também falou que ficou espantada com o despreparo da maioria dos vereadores e ressaltou que a Câmara Municipal é bairrista e cuida apenas dos próprios interesses. Inexperiente, o vereador Kiki, que presidia a audiência pública, chegou a agir de forma autoritária contra Niege, afirmando que ela não poderia atacar vereadores.

Outro discurso contundente foi o do coordenador da Apeoesp e também militante do PSOL, Ronaldo Motta. Ele também fez duras críticas à Câmara Municipal de São Carlos.

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