ATLETISMO ACD TEM CAMPEÃO MUNDIAL NOS JOGOS ABERTOS DE SÃO CARLOS

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Categoria, atletas e técnicos mostram que limites não têm prazo para romper

 

Para quem busca uma injeção de ânimo e as pazes com a vida que tem, uma boa opção para esse fim de semana é uma visita até a Pista de Atletismo José Índio, no Centro Olímpico Bichara Damha, no Distrito de Água Vermelha, distante 12 Km do centro de São Carlos. Nesse lugar, com certeza, está a maior concentração de superação por metro quadrado! Afinal, são homens e mulheres, jovens e idosos, que disputam Atletismo na categoria Atletas Com Deficiência (ACD), que pode ser física, visual ou intelectual, na 82ª edição dos Jogos Abertos do Interior.

Divididos em grupos de acordo com o grau de deficiência, entre eles há amputados, paralisados, sequelados, cadeirantes e cegos. São apenas alguns exemplos desses paratletas que disputam em arremesso e lançamento de peso, disco e dardo, salto em distância, corrida com ou sem cadeira, enfim. A modalidade e a deficiência, no contexto, são meros detalhes porque o sentimento que domina esse espaço é aquele que foi sintetizado de forma anônima pela mãe de um paratleta: “Aqui, quem veio já é campeão!”.

Josiane, de Caraguatatuba, e Isabelle, de Sumaré, disputaram a mesma prova de corrida com cadeira de rodas. Duas jovens paratletas que transbordavam na simpatia e no sorriso constantes a alegria contagiante e comovente, própria de quem não fez da deficiência obstáculo para a felicidade: “Estamos muito contentes de estar nos Jogos Abertos e a expectativa vai além de medalhas e troféus. O que queremos colocar no peito e levantar bem alto, são a emoção e a vitória de estarmos aqui”, disseram, nas entrelinhas.

Nesse ambiente, se a tarefa for pinçar um destaque, a honestidade intelectual e o reconhecimento esportivo obrigam dirigir olhares e atenção para Thiago Paulino, que compete por Orlândia. Atleta da seleção brasileira, campeão mundial em Londres no ano passado no peso e no disco, esse ano ele quebrou em julho o próprio recorde no lançamento de disco no Grand Prix em Berlim (Alemanha), organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC): “Confesso que estou muito impressionado com essa estrutura montada por São Carlos para os Jogos Abertos. A organização está de parabéns. As provas acontecem nos horários previstos e o acompanhamento é formidável”.

Ao pedir uma mensagem para os colegas do Atletismo ACD, ele revisita o passado, lança um conselho e arremessa uma sentença : “Eu participei de muitos Regionais e Abertos. Eles são a base de tudo. E todos sabem da luta diária dos atletas de alto rendimento em São Paulo e no Brasil. O importante é não deixar de sonhar!”. Portanto, que o sonho de Paulino, que já virou realidade, inspire e motive toda uma geração, cuja deficiência é, sempre foi e talvez continuará sendo, mais externa do que interna.

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