APÓS 10 ANOS, EX-PADRE DE RIO CLAROCONDENADO POR PEDOFILIA É PRESO

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Hélio Aparecido Alves de Oliveira se apresentou à polícia em São Carlos.
Ele é acusado de cometer abusos contra três crianças entre 2001 e 2004.

Hélio Aparecido Alves de Oliveira foi condenado por crime de pedofilia em Rio Claro (Foto: Arquivo JC)

Hélio Aparecido Alves de Oliveira foi condenado por crime de pedofilia em Rio Claro (Foto: Arquivo JC)

Fabio RodriguesDo G1 São Carlos e Araraquara

Dez anos após ser condenado por crime de pedofilia, o ex-padre de Rio Claro (SP) Hélio Aparecido Alves de Oliveira, de 58 anos, se apresentou na Delegacia Seccional de São Carlos e foi preso. Detido no dia 20 de janeiro, ele foi encaminhado para a Penitenciária II, de Serra Azul, na região de Ribeirão Preto. Os casos de abusos aconteceram em Rio Claro entre 2001 e 2004 e envolveram duas crianças de 10 anos e uma de 9.

Padre Hélio, como era conhecido na cidade, teve a prisão preventiva decretada em 2004, mas livrou-se de ir para a cadeia após a defesa conseguir um habeas corpus. Em 2007, ele foi condenado a 16 anos de prisão, entretanto, a Justiça concedeu-lhe o direito de aguardar o recurso em liberdade. Em julho do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STF) negou o recurso e confirmou a sentença. A pena foi reformulada e reduzida em dois anos. Após seis meses, o ex-padre se apresentou à Justiça.

Ex-padre (à esq.) foi condenado por crime de pedofilia em Rio Claro (Foto: Reprodução/EPTV)
Ex-padre (à esq.) na época em que prestou
depoimento sobre o caso (Foto: Reprodução/EPTV)

Crime negado
O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh disse que a condenação não é definitiva e que cabe recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), por isso era necessário que seu cliente se apresentasse. Segundo ele, padre Hélio nunca assumiu os casos e ainda nega os crimes sexuais.

“Eu considero esse caso como um grande erro judiciário. As pessoas que o acusaram foram modificando seus depoimentos. Primeiro que não houve nenhuma violência carnal, ele é acusado de passar a mão, colocar para sentar no colo, esses atos. Mas o caso corre em segredo de Justiça”, declarou o defensor.

Já o advogado de acusação, Ariovaldo Vitzel Junior, esperava uma pena maior. “As crianças irão carregar pelo resto de suas vidas o trauma sofrido, bem como, suas famílias que ficaram marcadas e não gostam nem de tocar no assunto. Um sacerdócio deveria ser o exemplo de vida”, disse.

Denúncia
Na época da denúncia feita à Justiça pelo Ministério Púbico (MP), padre Hélio era diretor da União das Faculdades Integradas Claretianas (Uniclar), do Colégio Integrado Claretiano de Rio Claro e da TV Rio Claro.

Segundo o MP, o religioso abusou das três crianças no colégio, que era mantido pela Congregação Claretiana. Ainda de acordo com a denúncia o então sacerdote contou com o auxílio e a complacência da coordenadora pedagógica, que foi condenada a pena de 13 anos de reclusão. A pena dela também foi reduzida para 10 anos e um mês. O G1 não conseguiu localizar o advogado de defesa dela.

Na época, a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, controladora das unidades de ensino, não se pronunciou sobre o assunto. Informou que o padre foi afastado da instituição desde as acusações.

Atual vice-diretor do Denarc, delegado foi o responsável pelo caso (Foto:  Joaquim Dias Alves (Arquivo pessoal))
Atual vice-diretor do Denarc, delegado investigou o
caso (Foto: Joaquim Dias Alves (Arquivo pessoal)

Investigação cautelosa
Atual vice-diretor do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), o delegado Joaquim Dias Alves foi o responsável pelo inquérito em 2004 quando atuava em Rio Claro. Segundo ele, três mães resolveram denunciar os abusos, mas a investigação apontou que havia mais vítimas que não procuraram a polícia.

“Conversei com as mães e fui muito cuidados, ouvi mais de 50 testemunhas e alguns psicólogos forenses. Tomei todas as cautelas necessárias porque casos de pedofilia exigem detalhes para conseguir uma condenação. Vejo que meu trabalho foi bem realizado porque todas as instâncias judiciário reafirmaram a investigação e ele foi condenado”, disse o delegado em entrevista ao G1.

Segundo o delegado, o inquérito concluiu os atos libidinosos praticados contra as crianças. “O fato de envolver um religioso dificultou um pouco a investigação porque ele ostentava títulos, era doutor de educação, tinha programa na rádio, era uma pessoa pública bastante conhecida na cidade. Ele gozava de uma reputação social muito forte por ser padre. O trabalho realizado foi técnico e isso me deixou em paz como profissional, fazer Justiça para as crianças e famílias”, disse o delegado.

Mãe de uma das crianças disse que notou comportamento estranho (Foto: Reprodução/EPTV)
Mãe de uma das crianças disse que notou
comportamento estranho (Foto: Reprodução/EPTV)

Motivação
Alves contou contou que o caso serviu de inspiração para criar um projeto na capital. Após ser promovido e transferido para Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), ele conseguiu fundar a Delegacia de Polícia de Repressão à Pedofilia, a única do país especializada em investigar esse tipo de crime.

Para ele, a delegacia tem um papel fundamental nessa era tecnológica, principalmente contra os predadores da internet.

“O pedófilo é um predador com consciência, que estuda a vitima, seleciona, planeja e faz o ataque. Ele é paciente, sorrateiro e muito perigoso. Na minha opinião, o crime de pedofilia deveria ter uma sentença mais elevada e sem direito de progressão de pena. É um crime grave que destrói a vida inteira de uma criança e de uma família”, completou o delegado.

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